terça-feira, 11 de agosto de 2015

O transporte público, o automóvel e os subúrbios


Transporte público nos Estados Unidos

Os Estados Unidos gastam muito dinheiro em transportes públicos. Mas tal investimento, parece não estar a resultar. Os autocarros, o metro e as linhas de eléctricos de superfície, têm progressiva e consistentemente níveis mais baixos de ocupação, menos horas de serviço, e maiores períodos de espera, quando comparado com um país rico da Europa ou da Ásia. Ao mesmo tempo, uma percentagem cada vez maior dos custos do transporte público é subsidiado pelos impostos públicos. Dito de outro modo, os americanos pagam mais pelo transporte público e obtêm em retorno cada vez menos - basicamente o pior de dois mundos.

A explicação para este paradoxo reside, para alguns, na história dos Estados Unidos e da sua geografia. A maioria das cidades e subúrbios americanos foram construídos após a década de 1950, quando o automóvel particular se tornou o modo dominante de transporte. Em consequência disto, possuem metrópoles que se espraiam por largas áreas, pensadas para serem acedidas de automóvel e que não podem ser facilmente servidas por transportes públicos.

Embora a história e a geografia sejam parcialmente culpados, há uma razão mais profunda pela qual o transporte público americano é pouco eficaz. Na Europa, Ásia e até cidades do Canadá, o transporte público é visto como um serviço público vital. Pelo contrário, a maioria dos políticos americanos - e seus eleitores - encaram o transporte público como um programa de bem-estar social, principalmente para apoio aos menos favorecidos. Ou seja, para aqueles demasiado pobres para ter um carro (ou dois, ou três...).

Quando visitamos uma cidade europeia compacta e densa, com transportes públicos excelentes, o problema dos Estados Unidos pode parecer óbvio: o desenvolvimento dos subúrbios e o alastramento da zona urbana, baseados no uso massivo do automóvel.

subúrbio americano

A maioria das cidades americanas são relativamente novas e por isso foram construídas tendo o carro em mente. São desenhadas em mancha de óleo, que aumenta continuamente, com subúrbios em formato cul-de-sac, em vez de uma rede urbana de malha apertada, como acontece nas cidades do norte da Europa.

cul-de-sac

Tudo isso torna pouco eficiente e onerosa a rede de transporte público. A mesma linha de metro, autocarro ou comboio, torna-se muito mais cara para servir o mesmo número de pessoas espalhadas por uma área mais ampla. A proliferação de auto-estradas, vias rápidas e bairros em cul-de-sac, torna difícil alcançar a pé as paragens de autocarro ou as estações de metro e comboio.

Um olhar mais atento para a história do transporte público noutros países, desafia a idéia de que o desenvolvimento pós-1950 só se fez segundo este modelo nos Estados Unidos.

Na década de 1950, Estados Unidos, Canadá, França, Reino Unido, Alemanha e Austrália, estavam todos na mesma trajetória - todos eles foram correndo em direção à dependência do automóvel. Mas na Europa, nalguns países, logo na década de 1960, começa a haver alguma divergência. Durante esta época, muitas cidades da Europa fizeram o possível para preservar a sua rede de transporte público e expandi-la para os subúrbios em crescimento. Como resultado, essas cidades europeias têm níveis de utilização dos transportes públicos muito superiores aos das cidades americanas de tamanho e densidade comparável. Nos Estados Unidos, as cidades mais recentes no Oeste e no Sul foram sendo expandidas sem investimento correspondente no transporte público. Noutras cidades mais antigas, - construídas antes da expansão do uso do automóvel - destruíram deliberadamente as suas redes de transporte existentes, arrancando linhas de eléctrico e construindo redes de estradas para acelerar a deslocação da classe média para os subúrbios.





Portugal e a versão pobre do subúrbio americano


Portugal, com o seu conhecido desfazamento temporal do resto do mundo ocidental, era ainda nos anos 50 e 60 do século XX, composto por cidades e vilas mais compactas. Mas embora tardiamente, o automóvel chegou em força nos anos 80 e 90, possibilitando a implementação de uma versão pobre do subúrbio americano, baseado no automóvel e na ineficaz rede de transporte público. São disso exemplo, na área de Lisboa, zonas como o Cacém, Santo António dos Cavaleiros, Mem Martins, Amadora, etc.

Cacém


Fruto de políticas públicas persistentes que preveligiam o uso do automóvel, continua-se em Portugal, já em pleno século XXI, a construir mais estradas, auto-estradas, pontes e viadutos, a par da construção de alguns dos maiores centros comerciais da Europa, na periferia das cidades, obrigando ao acesso quase exclusivo pelo automóvel. São disto exemplo o Dolce Vita, Cascais Shopping, Almada Fórum, Freeport, só para dar alguns exemplos na região metropolitana de Lisboa.

Dolce Vita


Com a crise mais forte iniciada em 2008, Portugal apresenta-se paradoxalmente como um país preso, à força e voluntariamente, ao automóvel. À força, porque a malha suburbana de Lisboa, Porto ou Setúbal foi contruída como se não houvesse amanhã para além do automóvel. Voluntariamente, porque o português médio, gasta o que tem e não tem no automóvel, objecto de desejo consumista e de afirmação social.
Ao menor sinal de alívio da austeridade, o português assume-se como o melhor cliente do produto automóvel, tendo Portugal assumido em 2014 uma das maiores retomas na venda de automóveis novos.

foto: Luís Escudeiro



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Greenwashing

Greenwashing palavra de origem inglesa: green, verde, a cor do movimento ambientalista, e washing, lavagem, no sentido de modificação que visa ocultar ou dissimular algo; em português, "lavagem verde") é um neologismo que indica a injustificada apropriação de virtudes ambientalistas por parte de organizações (empresas, governos, etc.) ou pessoas, mediante o uso de técnicas de marketing e relações públicas. Tal prática tem como objectivo criar uma imagem positiva, diante opinião pública, acerca do grau de responsabilidade ambiental dessas organizações ou pessoas (bem como de suas atividades e seus produtos), ocultando ou desviando a atenção de impactos ambientais negativos por elas gerados.
fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Greenwashing

 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Ainda os apanho a fumar

Bom de ler que economistas mainstream começam a admitir que talvez a solução da crise passe por algo completamente diferente do crescimento continuo num planeta finito. Senão vejam o que diz o Krugman: "But what if the world we’ve been living in for the past five years is the new normal? What if depression-like conditions are on track to persist, not for another year or two, but for decades?"
Ainda os apanho a fumar... :)

http://www.nytimes.com/2013/11/18/opinion/krugman-a-permanent-slump.html?smid=fb-share

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Crise antropológica

"À crise que vivemos actualmente somam-se muitas outras e todas se misturam. Já não é apenas uma crise económica e financeira, mas uma crise ecológica, social, cultural ... isto é, uma crise de civilização. Alguns falam de crise antropológica ..."

Serge Latouche